Mostrar mensagens com a etiqueta Miguel Sousa Tavares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Miguel Sousa Tavares. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de abril de 2016

Leituras # Sul

"Este é um livro de viagens, um livro de alguém que, como nos sonhos de infância, teve a sorte de partir tantas vezes com pouco mais que um saco de viagem e uma máquina de filmar ou de fotografar. (...) Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir. Mas é justamente neste caos que eu procuro a lucidez do contador de histórias."
Miguel Sousa Tavares

«Neste livro, Miguel Sousa Tavares partilha com os leitores, fotografias e experiências únicas de viagens a São Tomé e Príncipe, Amazónia, Egipto, Goa, Cabo Verde, Alentejo, Alhambra, Marráquexe, Costa do Marfim, Tunísia, Brasil, Veneza, Guadalupe, parque Kruger, em África e o deserto de Sahara.». Gostei particularmente da descrição desta última viagem, principalmente depois de ter lido «No teu deserto», que se passa exatamente na mesma viagem.
De uma forma geral, gostei do livro, apesar de não ter adorado. Aliás, foi um daqueles livros que fui protelando (desde Setembro até agora) depois de o ter iniciado. Mas recomendo.

sábado, 2 de abril de 2016

A leitura # No teu deserto

Este pequeno livro fez parte desta pequena viagem em família, nos últimos quatro dias. Contribuiu, também, para a melhorar. Comecei a lê-lo no carro, na ida. Prendeu-me desde a primeira frase. Conta a história de uma viagem, ao deserto do Sahara, do próprio autor e de uma jovem, que conheceu aí, há 20 anos atrás. Começa por dizer, no primeiro parágrafo do livro, que ela morre. Que no final ela morre. «Assim mesmo, como se morre nos romances: sem aviso, sem razão, a benefício apenas da história que se quis contar. Assim, tu morres e eu conto. E ficamos de contas saldadas.»
Li sempre que pude. Queria saber o que vinha depois. E por que razão acabava assim. Li, quase às escuras, no quarto de hotel, só com a luz que atravessava timidamente a cortina, de dia, enquanto dormias a sesta. Li no carro, enquanto nos deslocavamos para onde quer que fosse. Li, à noite, enquanto dormias, na casa de banho do quarto de hotel, o único local onde a luz não te importunava o sono...
Penso que esta ânsia só poderá significar que gostei do livro, deste «quase romance»... Continuo, no entanto, a questionar-me como pode este homem, Miguel Sousa Tavares, escrever assim...
“Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.”

segunda-feira, 28 de março de 2016

Música na literatura # Sul

«Hordas silenciosas de japoneses atafulham as estreitas vielas da cidade durante o dia, raziam as lojas da Gucci, da Versace, do Dolce & Gabbana (também eles encontrados no Florian, bebendo um campari ao fim da tarde) e deslizam, em grupos de quatro gôndolas lado a lado, qual expedição de índios canadianos descendo o Ontário, com um acordeonista e um cantor de árias napolitanas à proa de uma das gôndolas entretendo-os ao som do Santa Lucia, enquanto eles, eternamente impenetráveis, de rostos escondidos por trás das máquinas de filmar, vão engolindo Veneza com uma capacidade silenciosa, que aos turcos sempre falhou.»  pg. 156 (Sul)

sábado, 26 de março de 2016

Música na literatura # Sul

«Às cinco da tarde, já com o sol a retirar-se, avistamos a última praia antes de Fortaleza: Mucuripe, um nome que no meu espírito está desde sempre associado a uma das inesquecíveis canções da grande, da inimitável, da imortal Elis Regina («As velas do mucuripe/ vão sair para o mar/ hoje à noite namorar/ sem ter medo da saudade / sem vontade de casar«). pg. 152


quinta-feira, 24 de março de 2016

A leitura # Conversas de escritores # 3

Hoje foi a vez de Miguel Sousa Tavares. Um homem com quem não simpatizo, de todo, mas cuja obra aprecio. Pelo menos o que li até ao momento. Adorei o «Equador». Achei um livro extraordinário. Gostei de «O rio das flores». Estou agora a ler «Sul» - muito diferente dos anteriormente enunciados, claro, já que é uma compilação de histórias de viagem. O modo como apresenta as crónicas não me está a fascinar, mas as descrições são interessantes. De seguida, vou ler «No teu deserto». Confesso que estou muito curiosa. Aliás, este livro conta uma antiga aventura no deserto, que também é contada no livro «Sul», que estou agora a ler.
A certa altura, diz MST na conversa: «Um bom romance, para mim, é o livro que largámos na véspera e que passamos o dia inteiro a pensar nele e a desejar que volte a ser noite, e que nós voltemos a estar na cama e que voltemos a reencontrar as personagens. É um livro em que os personagens e a história vivem connosco e enquanto nós estamos a lê-lo é como se tivéssemos uma vida paralela. Nós temos a nossa vida de todos os dias e temos aquela história que caminha connosco e, quando chegamos ao fim, fechámos o livro e a história continua a caminhar connosco, regressa muitas vezes.» Esta também é a minha noção de um bom romance!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A leitura # 32 Rio das Flores

Sinopse:
«Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade.

Rio das Flores resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas. Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho.»

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...