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quinta-feira, 11 de abril de 2013

A leitura # 17 A escolha de Sofia

Este livro é uma chicotada na alma, que nos entorpece mas que, ao mesmo tempo, nos acorda para algo que, com dificuldade, entendemos ser parte integrante daquilo a que chamamos Humanidade. É, como nos diz algures, «Uma ária de infinito sofrimento». 
Estou siderada com a grandeza que atinge... É um livro fortíssimo,  grandioso, extremamente dramático, magnífico na exploração das personagens e dos sentimentos...
É, sem qualquer dúvida, um dos melhores livros que li desde sempre. 

Sinopse:
«Trata do dilema de "Sofia", uma mulher polaca, filha de pai anti-semita, presa num campo de concentração, durante a Segunda Guerra e que é forçada por um soldado nazi a escolher um dos seus dois filhos para ser morto. Se ela se recusasse a escolher um, ambos seriam mortos. Esta história dramática é contada em 1947 ao jovem "Stingo", um aspirante a escritor, que vai morar em Brooklyn, na casa de "Yetta Zimmerman", onde tem Sofia e Nathan (o seu perturbado companheiro), como vizinhos.»

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Música na literatura # 14

«-A Sofia ligou a música - comentou Nathan. - Tento convencê-la a dormir até tarde, nas manhãs em que não tem de ir para o trabalho, mas ela diz que não pode. Diz que, desde a guerra, nunca mais foi capaz de reaprender a dormir as manhãs na cama. 
- Como se chama aquilo que está a tocar? - era irritantemente familiar, qualquer coisa de Bach que eu tinha a obrigação de conhecer, como se o tivesse aprendido no 1º livro de música que tivera em criança, mas que esquecera inexplicavelmente.
- É da cantata 147, aquela a que em inglês deram o título de Jesu, Joy of Man's Desiring.
- Invejo-lhe aquele gira-discos...e aqueles discos. São caros como fogo. Uma sinfonia de Beethoven custar-me-ia um bom naco daquilo a que costumava chamar o salário de uma semana.»
in A escolha de Sofia, de William Styron, pg.173
«Longo silêncio. Sol ofuscante, gaivotas recortadas num céu muito azul. Penacho de fumo no horizonte. Um dia maravilhoso, a merecer um hino só para si, como a Ode à Alegria, de Schiller.»
                       in A escolha de Sofia, de William Styron, pg.188

sábado, 30 de março de 2013

Música na literatura # 13

«No mesmo instante, os acordes majestosos e solenes da "Música da Água", de Handel, desceram tremulamente a escada, vindos do quarto de Sofia. E, muito abafada, ouvi uma gargalhada de Nathan.»
in A escolha de Sofia, de William Styron, pg. 90

«Mas, sem que o soubesse, devia estar aberta e receptiva aos poderes miraculosamente terapêuticos do Dr. W.A.Mozart, pois as primeiras frases da música - a grande "Sinfonia Concertante" em mi bemol maior - fizeram-na tremer toda, invadida por um prazer simples e sem complicações. E, de súbito, compreendeu por que motivo isso acontecia, por que motivo aquela música sonora e nobre tão cheia de peculiares e arrepiantes dissonâncias lhe inundava o espírito de alívio, reconhecimento e alegria. É que, para além da sua beleza intrínseca, tratava-se de uma obra cuja própria identidade ela procurara durante dez anos. A peça musical quase a enlouquecera quando o conjunto de Viena visitara Cracóvia cerca de uma ano antes do Anschluss. Sentada na sala dos concertos, escutara a obra fresca e nova como que em transe, com as janelas e as portas do seu espírito escancaradas para deixarem entrar as harmonias exuberantes, entrelaçadas e variadas e as loucas dissonâncias inexaurivelmente inspiradas. Numa época da sua juventude toda feita de descoberta perpétua de tesouros musicais, aquele foi um tesouro novinho em folha e supremo. No entanto, nunca mais voltara a ouvir a peça, pois, como tudo o mais, a Sinfonia Concertante e Mozart, e o lamentoso e doce diálogo entre violino e viola, flautas e cordas e metais tristes, tinham sido arrastados pelo vento da guerra numa Polónia tão árida, tão asfixiada pelo mal e pela destruição, que a própria ideia da música era uma excrescência grotesca.»
in A escolha de Sofia, de William Styron, pg. 140

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